sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Michel Onfray: Educação!

17/12/2002 - 02h54
"É um paradoxo, mas nós, professores, somos feitos para não existir"


ALCINO LEITE NETO
enviado especial a Caen (França)

Michel Onfray é ao mesmo tempo uma estrela e um pensador marginal da cultura francesa. No meio filosófico do país, fazem de conta que ele não existe. "Não sou reconhecido pelos meus pares. Mas isso não importa, sou um indivíduo solitário."Na imprensa, entretanto, é citado com frequência. As editoras também estão sempre de portas abertas para o filósofo. E a admiração dos leitores é uma constante para ele, sobretudo depois do lançamento de "Antimanual de Filosofia", em 2001, que vendeu mais de 100 mil exemplares. Não é o principal livro de Onfray, que já publicou 21 obras. No Brasil, teve cinco livros traduzidos, entre eles "A Escultura de Si" (212 págs., R$ 21,50) e "A Política do Rebelde" (291 págs., R$ 35), ambos pela Rocco. Na entrevista a seguir, Onfray conta por que decidiu abandonar o ensino público e criar a Universidade Popular.

Folha - Por que o sr. se demitiu da escola pública?
Michel Onfray - Porque eu estava cheio da política educacional nacional, das inspeções, dos modelos de ensino. Decidi que iria parar. Como posso viver de meus direitos autorais e tinha vontade de continuar a ensinar, mas livremente, resolvi me demitir e criar a Universidade Popular.

Folha - As universidades populares na França começaram no século 19. Na época, havia esse valor, o povo. A quem se dirige o seu projeto?
Onfray - No século 19, o objetivo era atingir o maior número de pessoas, que não precisariam fazer exames para poder vir ao encontro do saber e não pagavam nada para ter acesso ao conhecimento. Foi um pouco nesse espírito que eu criei o meu projeto. Quanto ao povo, acho que seria preciso defini-lo hoje como aquele que não exerce o poder, mas sobre o qual o poder é exercido. São pessoas privadas do saber de uma maneira geral.

Folha - Com o projeto da Universidade Popular, o sr. não tem receio de ser chamado de populista?
Onfray - Não, pois popular é o contrário de populista. Ter preocupação com o povo nos dispensa de praticar a demagogia. Hoje, o povo —as pessoas modestas— fica em geral esquecido, e é a extrema direita que acaba se ocupando dele. Eu acho que a esquerda precisaria reencontrar o sentido do grande número. A chegada do [líder de extrema direita] Jean-Marie Le Pen ao segundo turno das eleições presidenciais na França é como o caso Dreyfus [processo judicial que marcou a França do séc. 19 por seu anti-semitismo]. É preciso deixar de ficar em seu canto, ralhando contra as pessoas que votaram em Le Pen e reprovando-as pela má escolha. Se temos vontade de esclarecer as pessoas, temos de ir à luta. Eu me sinto mais útil fazendo esse trabalho na Universidade Popular do que num liceu.

Folha - As escolas foram associadas à domesticação do indivíduo. Essa idéia ainda é válida?
Onfray - Mas claro. Penso que as escolas não funcionam senão com isso e para isso. Elas não fabricam senão indivíduos dóceis, obedientes, formatados, que pensam o que os outros mandam eles pensarem, da forma como mandam. Elas ensinam o que é necessário para reproduzir o sistema social. A Universidade Popular é uma alternativa a isso.

Folha - Hoje, qual seria a função do professor?
Onfray - O professor é aquele que conduz, que aponta o norte, o sul, e depois diz ao aluno: 'Vire-se você, faça o seu próprio caminho'. Nietzsche dizia que um bom mestre é aquele que ensina os alunos a se desligarem dele. Então é preciso ensinar as pessoas a se desligarem de seus mestres, a serem mestres de si mesmas. É um estranho paradoxo, mas nós, professores, somos feitos para não existir. O que interessa é que as pessoas tenham uma relação direta com a filosofia, na qual eu serei apenas um mediador. Eu sou feito para desaparecer.

Folha - O sr. acha que a escola deveria mudar?
Onfray - A escola deveria ser um lugar onde as pessoas tivessem vontade de estar, de ir e vir, um espaço mais ligado à vida da cidade, com cinema, cafés, bibliotecas, lugares de conferência. A escola se abriria para o mundo do ponto de vista arquitetural, mas também colocaria o saber mais em consonância com as necessidades da época, trazendo valores integrais e proposições que permitissem, por exemplo, discutir o que é o monoteísmo. Será necessário aprender sobre Carlos Magno? Será que não se deveria aprender outra coisa, de outra forma? Penso que há outros conteúdos, outros métodos, que poderiam ser adotados, bem como um novo modelo de frequência, de modo a permitir dizer ao aluno: 'Construa você mesmo o seu aprendizado'.

Folha - O que é o saber, hoje, depois que se aprende a ler, escrever e contar?
Onfray - É preciso aprender a pensar e a reunir a isso todos os saberes que permitem conhecer. Eu não estou certo que o trabalho de memória sobre um certo número de fatos seja útil para pensar. Então que se trabalhe a retórica, a argumentação, a lógica, a construção de um discurso e de uma proposição. São coisas que se pode aprender, mas que não se aprende. A gramática acabou nas escolas. Imagino que se possa reunir o clássico e o moderno, ensinando também o que é ecologia, informática, biotecnologia etc.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u260.shtml

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

orkut - Minha página de recados

orkut - Minha página de recados: "'É fácil encontrar maus amigos que irão encorajar as nossas fraquezas. Em contraste, um bom amigo é realmente difícil de encontrar. Um verdadeiro amigo geralmente diz o que algumas vezes não queremos ouvir, mas que é de extrema necessidade para que possamos nos manter na linha e que cresçamos integralmente como seres humanos. Somente um verdadeiro amigo pode tornar nossas vidas duas ou três vezes mais rica. Uma pessoa com tal amigo nunca irá se sentir perdida.'" Fernanda Calixto Camargo!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Pensar é preciso!

Cândido Portinari: "Os retirantes" de 1944.


"Quando uma família tem mais filhos que pais, um dos filhos tem um filho!"

(Cris Rock no seriado: Todo mundo odeia o Cris.)







quarta-feira, 21 de maio de 2008

Viagem na música...

"A mão com a esfera refletora" de ESCHER, Maurits Cornelis.
PERFEIÇÃO


1
Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso Estado, que não é nação
Celebrar a juventude sem escola
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade.

2
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e seqüestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda hipocrisia e toda afetação
Todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã.

3
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo o que é gratuito e feio
Tudo que é normal
Vamos cantar juntos o Hino Nacional
(A lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão.

4
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso - com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção.

5
Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão.

Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera -
Nosso futuro recomeça:
Venha, que o que vem é perfeição (Música: Perfeição. Legião Urbana)





http://vagalume.uol.com.br/

domingo, 11 de maio de 2008

De Súbito...


Quando menos nos demos por conta, apareceu nas casas de todo o mundo uma fantástica máquina de novidades.
No princípio um objeto estranho, sem muito a ver com os já existentes no mesmo espaço. E lá estava ele, novo, diferente, assustador e intrigante: o computador!

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Desenhos Animados dos anos 70 e 80!


As criações humanas são capazes de marcar a memória de várias maneiras. O desenho animado é uma das nossas favoritas.

Desenhos como os exibidos nas décadas de 70 e 80 são verdadeiros clássicos da animação. Os japoneses estão entre essas produções e levam os créditos de criatividade, bom humor e drama, com uma mistura bem estruturada de histórias que levam o espectador a viajar nas suas aventuras.

O mundo globalizado possibilitou a troca de informações e a divulgação de idéias de um lado a outro dos Continentes. A língua deixou de ser uma barreira, as imagens colaboram na transmissão de mensagens e os sons continuam a comunicar idéias. Com o surgimento da Internet o conhecimento deixou as fronteiras já não intransponíveis e se propagou de formar impressionante em velocidade e quantidade. Quem poderia imaginar uma visita aos museus do Mundo em apenas alguns minutos?
Mas há alguns anos as crianças brasileiras tinham como lazer a sua velha tv colorado, para entretenimento e por que não dizer educação.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Escrever!

"Saber escrever bem é ser um artista das palavras." (Paulo Nathanael P. de Souza)

" Na vida pessoal, dominar um idioma pode ser a base de projetos de vida bem sucedidos. Já no campo profissional pode ser a diferença entre o emprego e o desemprego." (Luiz Gonzaga Bertelli)

Livros são os mais silenciosos e constantes amigos; os mais acessíveis e sábios conselheiros; e os mais pacientes professores. (Anônimo)

Willin Bouguereau: "A Arte e a Literatura" de 1867.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

O Escritor Salman Rushdie!


“Deus, Satã, Paraíso e Inferno, todos desapareceram um dia nos meus quinze anos, quando abruptamente perdi minha fé e, além disso, para provar meu ateísmo recém-descoberto, comprei um sanduíche de presunto, e então partilhei pela primeira vez a proibida carne do suíno. Nenhum raio caiu em mim. Desde esse dia até hoje eu me considero uma pessoa completamente secular." - Salman Rushdie, "In God we Trust”




Heinrich Fueger: "Prometheus leva o fogo a Humanidade" - 1817.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Humano Demasiado Humano!


Caravaggio: "O chamado de São Mateus" _ 1599-1600.